terça-feira, 21 de julho de 2009

Transito em Shanghai

Preciso nem falar que se vc tirar a bicicleta de um chinês ele não consegue mais sair de casa, né??? Eles são piores que caiçara aqui.

Aqui vi como é muito mais cultural que qualquer outra coisa, eles simplesmente andam de bicicleta porque é assim que se faz as coisas por aqui, e não porque a ciclovia é bonitinha, o transito é um caos ou o metro não te leva a lugar nenhum. É proibido aos carros estacionar em praticamente qualquer rua, e quase metade do espaço que tradicionalmente teríamos para os carros estacionados é usado para as bicicletas. O fato é que tem tanta bicicleta aqui que não precisa exatamente de uma ciclovia oficial. Você pode até conseguir atropelar um ciclista, mas quando tem 130 ciclistas na faixa da direita, a sua única opção é passar pela faixa da esquerda.

Via de regra as calçadas são mais largas que no Brasil, e praticamente em qualquer quarteirão tem uns pontos específicos para estacionar bicicletas. Não é dificil encontrar 50 a 100 bicicletas estacionadas, uma do lado da outra, numa mesma calçada, além de encontrar nos principais pontos uma espécie de flanelinha para cuidar das magrelas (não sei exatamente como funciona, nao sei se são oficiais ou nao, embora ache que sim, ou quanto cobram, só sei que eles passam o dia inteiro lá). Tiazinhas de 50 anos de idade pedalando também é cena comum por aqui, a idade não é restrição. Mas tenho que admitir que o fato de Shanghai ser uma cidade plana é uma grande vantagem, há certos lugares de São Paulo onde simplesmente não foi feito para pedalar.

Pra facilitar ainda mais a vida, existem aqui umas bicicletas elétricas (parecem uma mobilete, mas movida a motor elétrico e bateria) e scooters elétricas. Elas são praticamente consideradas bicicletas: não precisa de carta ou registro no Detran, você liga na tomada a noite para carregar a bateria e sai rodando na manhã seguinte, simples assim. E ambas podem ser compradas nos grandes supermercados (Carrefour e afins) por pouco mais de mil reais. Um mesmo modelo de scooter, mas com motor a gasolina, é muito mais caro (pois os impostos são mais altos), exige carteira de motorista e uma licença anual, que custa mais ou menos um terço do preço da moto. Nem preciso dizer que a preferência absoluta é pela elétrica, certo?

Sobre os motoristas, é quase que como a imagem que temos da Índia, um caos organizado. Os motoristas são meio malucos e jogam o carro em cima dos pedestres e outros carros de graça, mas eles se entendem do jeito deles e vejo poucos acidentes ou carros batidos por aqui. Por outro lado, é muito difícil ver algum carro realmente rápido, normalmente eles não passam de algo por volta de 60 km/h na cidade. E o transporte público é super eficiente: Shanghai tem 8 linhas de metro cobrindo a maior parte da cidade, mais 8 devem estar funcionando já para a Expo 2010 no ano que vem. Não importa aonde você vá na cidade, se quiser se achar é só perguntar qual estação de que linha do metro é a mais próxima, e já terá um ponto de referência. Além disso, taxis são relativamente abundantes e bem baratos (uma corrida de alguns poucos kms costuma ficar na faixa de 7 a 10 reais).

O trânsito aqui está longe de ser perfeito, mas acho que beira o melhor possível para uma zona metropolitana de 20 milhões de habitantes. Comparando com São Paulo, qualquer paulista vai ficar com vontade de chorar...

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