terça-feira, 14 de abril de 2009

Beijing - Day 3

Chegou o último dia, já mais do que cansados, mas ainda tínhamos o que ver pela cidade. Acordamos então às 6hr da manhã, e dessa vez sim, conseguimos pegar o ônibus pra ver o tal muro que eles falam tanto.















Ao redor de Beijing existem 3 diferentes sítios, com diferentes trechos da Muralha. Queríamos, obviamente, ir para o mais afastado e rústico de todos, mas não havia gente suficiente para formar um grupo e ir para lá. Fomos então obrigados a ir ao mais comercial de todos os sítios, onde a Muralha foi reconstruída há algumas décadas atrás (pois é, meu amigo, os chineses realmente encaram algumas coisas diferente da gente), e consequentemente, o sítio mais lotado também.
















Como todo mundo que vai para lá, cheguei esperando algo bastante vazio e rústico, até me lembrar que isso aqui é China, e que um país com 1,3 bilhões de pessoas durante o primeiro feriado da primavera deveria estar com suas atrações turísticas lotadas. Esqueça o vazio. E com tanta gente de todas as idades e a incrível fixação dos chineses por estruturas e construções, passou longe de ser rústico. Chegando à Muralha, pegamos um carrinho, que escala uma colina bem íngrme e nos poupou de uma bela subida de escada.




















Tudo isso para chegar lá em cima e encontrar umas paisagens bem interessantes.




















O tal muro segue do Mar Amarelo até o deserto da Mongólia (pra quem faltou na aula de geografia, isso é longe pra cacete...). Apesar do que se pensa, não é um só muro, mas sim váras estruturas separadas, que foram construídas ao longo de uns 2 mil anos, por diversas dinastias diferentes.





















Como comentei antes, tinha muita, mas MUITA gente por ali. O trecho que visitamos tinha mais ou menos uns 2,5 km, e eram 2,5 km de multidão passeando pela Muralha... Mas o que mais me impressionou foi o fato de a enorme maioria, certamente mais de 95% dos turistas ali, serem chineses. Eu realmente esperava encontrar vários gringos perdidos por lá, mas não foi bem assim.

Bom, algumas fotos e degraus depois, pegamos o carrinho de novo pra descer dali...
















E chegando lá embaixo, lembro-me novamente de outra característica dos chineses modernos: os caras pirateiam absolutamente TUDO. Qual não foi minha surpresa ao encontrar uma pintura da Mônica e do Cebolinha no muro do banheiro de uma das 7 maravilhas do mundo moderno? Com o detalhe que, como o orçamento era baixo, ela saiu sem braço, e ele sem camisa.

















Depois da Muralha fomos aos "Túmulos da Dinastia Ming". É um vale gigante, próxima a Beijing, onde estão os túmulos de 13 emperadores da Dinastia Ming (enterrados lá entre 1400 e pouco e 1644). Lugar interessante, mas não tenho uma foto que presta pra publicar aqui (quem sabe quando vierem as fotos da outra máquina não vem algo que valha a pena colocar aqui...).

Bom, depois dessa volta toda, voltamos à cidade, onde pudemos fazer um lanche rápido...















... assistir a um concerto de jazz...




















... pegar as malas e ir embora.
















O trem de volta foi tão confortável quanto o de ida (ou seja, uma merda). Chegando em Shanghai às 7hrs, só tive tempo de voltar pra casa, tomar um banho de 3 minutos e ir para o escritório com a coluna torta. Mas sem dúvida, valeu a pena!

A viagem foi muito boa, mas Beijing é realmente uma cidade com muita história, e muita coisa para ser vista. Com certeza quero passar mais um tempo por lá enquanto estiver por aqui.

Abs a todos,
Rubão

The Chinese Way

Falem o que quiserem, mas a imagem de que o governo chinês é insensível e voltado às questões meramente técnicas não me convence mais. Para mim, o Governo Chinês é um exemplo de marketing político. (mas atenção: não estou dizendo se isso é bom ou ruim, ou se está sendo usado para o bem ou para o mal)

Durante momentos de crises, um dos fatores mais temidos é o sentimento de insegurança da população. Inseguranças sobre a situação econômica, situação política ou qualquer outra coisa podem gerar "efeitos-manada", como corridas desesperadas para estocagem de alimentos, população sacando todo o seu dinheiro no banco ou simplesmente parando de consumir e poupando. Pois o pessoal aqui entendeu isso muito bem (à maneira deles, veja bem...), e vem tomando algumas medidas (também à maneira deles) para solucionar o problema.

Primeiro veio o pacote econômico. Pra falar a verdade, pouca gente está interessada nas ações do pacote em si, em entender se foi realmente bem estruturado ou não, etc... A primeira pergunta é sempre "E aí, quanto $$ foi liberado dessa vez?". Pois bem, então o que o pessoal aqui fez? Colocou uma série de outras coisas que já estavam no orçamento, como o dinheiro para a reconstrução de Sichuan, província chinesa atingida por um forte terremoto há meses atrás. Assim, quando alguém pergunta só o valor, temos um valor mais alto! A população fica confiante de que tudo vai dar certo, gasta mais (aqui o pessoal vem gastando sem medo, bem diferente de europa e EUA), e está tudo certo.

Tudo isso é para falar sobre a notícia que saiu hoje nos jornais aqui. Lançaram aqui o tão esperado "Plano de Ações Nacional da China para Direitos Humanos". Falar em Direitos Humanos na China é algo complicado e, no mínimo, controverso, então o plano era bastante esperado por todos. Quando lemos o texto, fala somente sobre "garantir os Direitos Humanos básicos a todos, como educação, saúde, moradia...", e um pouco sobre garantir julgamentos justos e etc. Ou seja, mais do mesmo. Mas enquanto os gringos fazem a mesma leitura que eu, o pessoal aqui vem comemorando horrores, falando que é a China entrando na nova era de abertura, um país cada vez mais justo, etc e tal.

É sempre no mínimo curioso ver como os chineses lidam com essas coisas... E como o pessoal aqui consegue apoio da população facilmente.

Abs a todos,
Rubão

PS: pra quem quiser ler, segue uma das notícias sobre o plano - http://online.wsj.com/article/SB123964453347914161.html

Enquanto isso...

Enquanto as fotos de Beijing não vêm, segue uma frase interessante que li há pouco:

"Doing investment banking is like doing drugs. On your good trips you dance in clouds of marshmallows, surrounded by by beautiful women serving you fruit in canopies. On your bad trips you scratch your eyes out or jump off buildings."

Espero acordar logo da bad trip que tem sido essa semana.

Abs a todos,
Rubão

sexta-feira, 10 de abril de 2009

AVISO IMPORTANTE

Respondendo aos milhares de emails (hahaha, até parece...) que recebi nos últimos dias daqueles que acompanham o blog (hahahhaa, alguém acompanhar esse blog foi melhor ainda): não, eu não morri em Beijing nem estou perdido até hoje na Muralha da China, não é por isso que não postei nada da viagem ainda. Para alegria de uns e infelicidade da maioria, estou são e salvo em Shanghai. Só não postei nada da viagem ainda porque passei a semana atolado em trabalho, mas prometo para breve um post bem detalhado sobre tudo o que rolou por lá.

Abraço a todos,
Rubão

segunda-feira, 30 de março de 2009

Próxima parada: Beijing!


Próxima segunda-feira, 6 de março, temos o feriado de Qing Ming, que nada mais é do que a versão do feriado de Finados dos chineses. E para aproveitar o feriado, resolvi passar uns dias em Pequim (ou Beijing, dá no mesmo), para conhecer alguns dos pontos turísticos mais famosos da China - Muralha da China, Cidade Proibida, Parque Olímpico, etc... -. Como é a maneira mais barata de viajar na China, resolvi encarar os 1.200 km que separam Beijing de Shanghai usando os trens chineses.

A aventura começa na compra dos tickets: para ser um sistema igualitário, os tickets só podem ser comprados com um determinado número de dias de antescedência (número esse que muda a toda hora). Então o que acontece toda vez? No primeiro dia antes de qualquer feriado em que se pode comprar um ticket de trem criam-se enormes filas (e como os chineses não são muito fãs de filas, muitas vezes criam-se somente enormes aglomerados de gente) nos locais de compra. Para economizar a viagem e não ter que encarar filas tão grande, fui até uma agência da empresa estatal de trens que fica bem próxima ao meu trabalho. O lugar não é nada demais, é bem parecido com qualquer agência dos correios do Brasil.

Ao chegar lá, às 8h05 da manhã (a agência abria às 8hrs), já estava formada uma confusão sem tamanho dentro da agência, e do lado de fora foi organizada uma fila, que já dobrava a esquina e tinha uns 200 metros. Desisti na hora de comprar o ticket, e apelei para o jeitinho-chinês (nessas horas bem parecido com o brasileiro), e comprei os tickets em uma "agente" de tickets - que nada mais é do que alguém que cobra de você pra encarar a multidão.

Esse é um feriado curto, de 3 dias, então as filas eram grandes mas nada absurdo. Já nos feriados longos, especialmente o ano novo chinês (onde, dependendo da empresa, chega-se a emendar 9 dias seguidos de trabalhos), a coisa fica bem mais feia... O Ano Novo chinês é muitas vezes a única época do ano onde os trabalhadores que migraram de províncias mais distantes para as grandes cidades podem voltar para casa e ver a família, e por isso o país inteiro se desloca nessa época. Ao mesmo tempo, a enorme maioria da população não tem dinheiro para ir de carro ou avião, então a única maneira de ver a família uma vez por ano é comprando o ticket de trem em um único determinado dia do ano. Considere isso em um país com mais de 1,1 bilhão de pessoas, e você pode imaginar o que deve ser essa experiência. Não é difícil encontrar pessoas que passaram mais de 6 ou 8 horas na fila, enfrentaram uma confusão sem tamanho, pessoas empurrando e tudo o mais, para não conseguir comprar o ticket e passar um ano sem ver sua família.

E ponto curioso: a passagem de volta só pode ser comprada no seu destino. Ou seja, você pega o trem, e não sabe se terá tickets disponíveis para a volta!

Bom, meus tickets já estão comprados, depois da viagem mando notícias de como foi.

Abraços!

domingo, 29 de março de 2009

Rugby na China???



Pois é, caros amigos, ontem joguei minha primeira partida de rugby em terras chinesas. Por incrível que pareça, existe rugby na China, e ele é de qualidade...

Encontrei na net, ainda antes de vir pra cá, os Shanghai Crabs. Nos treinos que participei, praticamente o time inteiro é de gringos: mais ou menos metade são ingleses, e o restante, em sua maioria, são australianos, escoceses, irlandeses e outros países com alguma tradição no jogo. Na partida, não sei da onde, mas surgiram uns outros tantos chineses, que já treinavam antes de nós.

Aqui na China é bem comum encontrar chineses altos, com 1,80m ou mais, ao contrário da nossa imagem de chinês baixinho e magro. Então nos times de rugby por aqui acabam tendo uns tipos talentosos, altos e fortes, bons para o jogo. Mas, por outro lado, existem poucos chineses realmente pesados, o que faz com que o jogo daqui seja bem rápido e interessante.

Sobre a partida, sem grandes emoções: na verdade dividiram o time em 2 equipes, com uns 12 de cada lado, e jogamos uma espécie de partida treino. Mas como diz um velho ditado do esporte: em Rugby não existe jogo-treino. Foi muito bem disputado, e uma tarde divertidíssima. A idéia do clube aqui, acima de qualquer outra coisa, é exatamente juntar todo mundo que gosta do esporte e se divertir. Pra isso, tem vários "membros sociais", que entendem do jogo, vão a todos os jogos, vão nas reuniões, mas nunca jogam. Simplesmente estão lá pra tomar cerveja e dar risada.

Enfim, essa foi a parte interessante do final de semana. De resto, só muito frio e trabalho.

Abraço a todos!
Rubão

terça-feira, 24 de março de 2009


Nada como a milenar medicina chinesa para curar os males da vida moderna


Man Wakes Wife From Coma By Biting Her Toes



A Chinese man has successfully broken the 10-year comatose state of his wife by biting her toes.
She had suffered a head injury from an industrial accident and had not shown any signs of movement until one day she suddenly squeezed his wrist.
Zhang Kui, of Shenyang, China, claimed that he had tried everything he could think of to wake his wife and nothing seemed to work.
“I played the radio, sang and talked to her and even tickled her, but nothing worked. I then recalled someone saying that the feet are the home for many nerves. I wondered if I could wake her up by biting her feet,” he told the press.
Zhang would not give up and he bit her toes gently and faithfully every day for 10 years until one day, well, one day, it worked!
His wife of 27 years, Lv Fengshuang, is still unable to speak, but she can move her arms and smile.
“I got goose bumps. It was like a dead person suddenly gripping your hand,” Zhang said.
Zhang hopes that some day soon he will once again hear the voice of the woman he has loved so well and so long.

Fonte

domingo, 22 de março de 2009

Sobre homens e bodes

Sábado, 21hrs, jantar pré-balada. O cara que mora comigo me avisa: "Vou te levar pra comer um kebab". Até aí, nada de novo... Até me lembrar que isso aqui é China. Fomos até um restaurantezinho muçulmano comer um kebab de bode (vide a foto abaixo, mais fotos no Picasa em breve).



Na China temos 2 grandes províncias (Xinjiang e Iner Mongolia) que são bastante diferentes do que imaginamos por chinês. O povo por lá é bem mais parecido com o que conhecemos como turcos e o que não conhecemos como mongóis. O cara aí em cima é um exemplo, mas tem uns bem menos chineses que ele... Boa parte muçulmana (acho que a maioria é muçulmana, mas não achei nada sobre isso... talvez o partido não deixe publicar dados sobre religião, sei lá), música, comida e cultura parecidas com as árabes.

Enfim, o fato é que esses caras não parecem chineses, parecem uma mistura de árabe com chinês, e estão em vários lugares daqui de Shanghai, de Beijing ou qualquer outra grande cidade chinesa. E como não comem porco, podemos achar bons kebabs, normalmente de bode ou carneiro, por preços camaradas.

Abs! Até mais!
Rubão

sexta-feira, 20 de março de 2009

Lições de hoje

Lição 1: Nunca tente comer coxa de frango com pauzinhos. Muito menos sobre a mesa de seu escritório.

Lição 2: Não importa o quão gordurosas tenham sido suas refeições até agora na China, a próxima sempre poderá ser pior.

terça-feira, 17 de março de 2009

Lançando o blog

Salve salve moçada!

Sei que há muito estou devendo isso aqui para vocês, então segue aqui o blog para contar as aventuras aqui do outro lado do mundo.

Começando do começo: O Caminho para a China
Vir para a China não foi exatamente a viagem mais agrádavel que já fiz. Saindo de Guarulhos, peguei um vôo de 11 horas até a África do Sul, onde fiquei por mais 11 horas esperando o vôo seguinte. Aqui foi complicado, porque consegui dormir só umas 2 horas no primeiro vôo, e o fuso horário já começou a pegar. E como estava no saguão do aeroporto, com mochila, carteira e tudo o mais, não tinha muito bem como dormir. Mas tranquilo, passamos por isso também. Uma rápida ligação para o Brasil, só para dizer que estava vivo, e um pequeno lanche: carne de springbook (aquele cervo que sempre vemos os leões caçando na TV, sabe??), seca e defumada. Esse tipo de carne é bem tradicional da África do Sul, como já estava lá e era a coisa mais barata para comer no aeroporto, mandei pra dentro.
De lá peguei mais um vôo, agora de 13 horas, com destino a Hong Kong. Aqui comecei a sentir o que estava fazendo de verdade, quando vi que o avião já estava sobrevoando o Vietnã (aqui começou a cair a ficha...). Mais uma pequena parada de 3 horinhas em Hong Kong, e um curto vôo, de mais 3 horas, até Shanghai. Cheguei são e salvo, com uma puta dor nas costas e um jetlag que levou quase 2 semanas pra passar. O interessante é que, no caminho do aeroporto para a cidade, pequei o Maglev, o trem mais rápido do mundo. Chega a 400 km/h. Como era a noite e rápido demais, não deu pra ver muita coisa...
Na sequência posto mais impressões sobre as primeiras semanas de Shanghai, tudo o que rolou até agora e como está sendo a experiência.
Abraço a todos!
Rubão